quarta-feira, 20 de março de 2013

soldados retardados, sentido!









O mais próximo que estive do serviço militar, foi no dia que me dispensaram, e que mesmo assim, cheguei a passar por aquele deprimente exame coletivo que só quem fez sabe do que eu estou falando.

Quem prestou serviço militar tem sempre algumas histórias pra contar. Normalmente a parte chata como humilhações em público, exercícios infinitos, tarefas impossíveis, castigos, fome e sono, é suprimida pelas situações engraçadíssimas que só acontecem nos quartéis pelos seus soldados retardados, além das histórias de assombração e dos fetiches das taradas por fardas.

Entre as melhores, está a de um amigo que contou que havia um sargento muito casca grossa, que treinava ordem unida com os soldados (pra quem não sabe é o treinamento dos desfiles militares, aqueles: direita volver, esquerda volver, ordinário, marche! lembrou?).

Todos faziam de tudo para manter a harmonia e a cadência que o sargento troglodita exigia, sob pena dos tais castigos corporais e humilhações.

Ocorre que num momento em que todos estavam perfilados em posição de sentido, ouviu-se um som alto de alguém bocejando, o que deixou o sargento-diabo bufando de ódio.

"Quem bocejou? Quem bocejou? Gritava enfurecido com os olhos esbugalhados, veias na testa e pescoço saltadas e cuspindo a cada grito.

Como ninguém foi louco de se entregar, tiveram que satisfazer o sadismo do sargento com exaustivas sessões de flexões e outros castigos, inclusive, permanecerem perfilados sob o sol escaldante até o engraçadinho se assumir.

Obcecado pela idéia de matar alguém, o sargento falou vagarosamente olhando para cara de cada soldado enquanto caminhava entre eles: "Eu vou dar uma última chance antes de sair por alguns instantes,  pro filho da puta que bocejou ser homem e assumir agora o que fez, caso contrário, vai ser muito pior pra todo mundo.

Silêncio.

Foi só o sargento sair, que meu amigo ouviu do tal bocejador: "Pessoal, o que que é bocejar?"


Já soube por outro amigo, que contou que presenciou a cena do soldado que devia comprovante de residência e em vez de entregar algum documento que comprovasse o endereço onde morava, levou várias fotos da fachada da casa com ele na frente apresentando sorridente a casa, como se dissesse "essa é a minha casa", além de fotos dele com os pais, irmãos, irmãs e sobrinhos em frente à moradia.

Também contou do soldado que foi tirar plantão na guarita de madrugada, e para provar que não estava dormindo, tinha que responder sempre que um superior o chamasse, tipo: "Plantão?" "Sim, senhor!" ou alguma coisa assim. Porém, os seus amigos - ou inimigos - para atormentá-lo, sabendo que ele não tinha como ver quem o chamava, se passavam pelos superiores gritando: "Plantão?" e logo se ouvia  "Sim, senhor!"... 

Com esse tormento se repetindo a noite inteira, o plantonista passou a responder de outra forma: "Plantão? e se ouvia dele logo em seguida: "Meu pau na sua mão." E assim foi dezenas de vezes na madrugada, até - claro - que teve uma hora que quem gritou "Plantão?" foi um superior - e ao ouvir "Meu pau na sua mão", respondeu: "Soldado, quem está falando é o sargento". Imediatamente, o rapaz consertou: "Ultima forma, senhor: minha mão no seu pau."


Portanto, jovem, no ano que completar 18 anos, aliste-se.








sexta-feira, 1 de março de 2013

culpado oculto



Há pouco tempo, fui ao banco conversar com a gerente sobre um problema na minha conta. Estava sendo atendido na sua "sala" com divisórias de vidro escuro que permitiam ver da janela do 5º andar, onde estávamos, os outros prédios lá fora.

Naquele horário da tarde, o implacável sol estava se refletindo enorme e redondo nos prédios à frente e fazendo entender a necessidade do vidro fumê da divisória da "sala" da gerente e na janela do prédio que ainda tinha uma persiana opaca e translúcida, que ajudava a suportar aquela luz inconveniente. 

No entanto, com toda essa proteção, o reflexo do astro rei se refletia forte para quem estava sentado ao lado da janela, como eu e a gerente.

Mais curioso é que aparecia o reflexo de três imagens redondas, brilhantes e formando um triângulo. Talvez um físico pudesse explicar esse fenômeno, mas pra mim, inspirava uma oportunidade de ficar rico e famoso de uma hora pra outra.

Perguntei para gerente se ela já tinha reparado naquele reflexo e ela disse que apenas superficialmente, suficiente para perceber o incômodo que era para quem trabalhava naquela posição.

Então sugeri que poderíamos espalhar que aquelas luzes eram naves extra-terrestres de guerra em formação de ataque, nos espreitando enquanto aguardavam o sinal para lançar seus raios mortais e vaporizar tudo. 

Colocaríamos suas fotos na internet, alertando que os "visitantes" não eram pacíficos, que chupar cabras, abduzir pessoas para experiências bizarras e produzir híbridos com mulheres inseminadas, era só o começo. 

Inventaríamos que sua aparência variava de um branquelo cabeçudo e baixinho, para uns moluscos cheios de tentáculos e até umas vespas gigantes, dependendo da região que foram vistos, de acordo com o relato emocionado e traumático das suas vítimas.

Providenciaríamos uma data para eles acabarem com o mundo e  lançaríamos livros, kits-sobrevivência, armas contra os ets, refúgios subterrâneos, fantasias de carnaval, camisas e bonés, além de uma seita pró-visitante com locais estratégicos para contatos imediatos de terceiro grau.
  
Promoveríamos palestras e debates nas universidades e nas respeitadas emissoras de tv com ufólogos, físicos, astrônomos, religiosos, psicólogos, exotéricos e governo.

Este último sempre carregaria a fama de que já sabia de tudo, mas continuaria omitindo à população para não gerar pânico.

Responsabilizaríamos os ets, pelos terremotos, furacões, tsunamis, deslizamentos, enchentes, secas,  aquecimento global, camada de ozônio, extinção dos dinossauros, fome,  guerras, doenças, calor, frio, inflação, greve... ainda sequestros e assassinatos sem pistas, filhos de adultério, e qualquer coisa que precise de um culpado oculto.

E mesmo se descobrissem a farsa, já seríamos ricos demais pra irmos presos e o mito já caminharia com as próprias pernas.

Entre gargalhadas, a gerente concluiu: "Você deve ser um et."